A competência 5 pede uma proposta de intervenção para o problema discutido no texto, respeitando os direitos humanos. Ela vale 200 pontos, exatamente como a norma padrão — e é, de longe, a competência com o caminho mais claro para a nota máxima, porque a banca procura elementos identificáveis.
Os cinco elementos
| Elemento | Pergunta que responde | Exemplo |
|---|---|---|
| Agente | Quem executa? | O Ministério da Educação |
| Ação | O que será feito? | deve ampliar a formação continuada de professores |
| Meio ou modo | Como será feito? | por meio de módulos de educação midiática |
| Finalidade | Para quê? | a fim de que estudantes aprendam a checar fontes |
| Detalhamento | Especifica um dos outros elementos | com avaliação semestral de resultados |
Juntando: "O Ministério da Educação deve ampliar a formação continuada de professores por meio de módulos de educação midiática, a fim de que estudantes aprendam a checar fontes, com avaliação semestral de resultados." Cinco elementos, uma frase.
O elemento que quase todo mundo esquece
Na prática, o detalhamento é o que falta na maioria das propostas que ficam em 160. Agente, ação, meio e finalidade saem quase naturalmente de quem já treinou. O detalhamento exige um passo a mais: escolher um dos quatro elementos e especificá-lo.
- Detalhar o agente: "o Ministério da Educação, em parceria com as secretarias estaduais".
- Detalhar a ação: "ampliar a formação continuada, priorizando escolas de menor Ideb".
- Detalhar o meio: "módulos de educação midiática ofertados na jornada de trabalho remunerada".
- Detalhar a finalidade: "para que estudantes aprendam a checar fontes antes de compartilhar conteúdo de saúde".
Agentes que funcionam e agentes que não funcionam
"O governo" é agente aceito, mas fraco: é impreciso e não demonstra conhecimento do problema. Agentes específicos comunicam domínio — e podem incluir mais de uma esfera, porque problemas reais raramente têm um só responsável.
Ministérios, secretarias estaduais e municipais, escolas, universidades, o Congresso Nacional, o SUS, organizações da sociedade civil, empresas, plataformas digitais e a mídia são todos agentes possíveis. O que decide não é a lista: é a coerência entre o agente e a ação. Escola não regulamenta plataforma; plataforma não aprova lei.
Onde colocar a proposta
A proposta normalmente ocupa o último parágrafo, mas não precisa ser o parágrafo inteiro. Uma estrutura que funciona bem: retomar a tese em uma frase, apresentar a proposta completa em uma ou duas frases, e fechar com o efeito esperado. Isso evita o final vazio de "portanto, é preciso conscientizar a população", que não tem agente nem meio.
Também é possível distribuir: uma proposta ao final de cada parágrafo de desenvolvimento, ligada ao problema daquele parágrafo. Funciona, mas exige controle — cada proposta parcial precisa ter os elementos, senão você tem duas propostas incompletas em vez de uma completa.
Checklist de 30 segundos antes de entregar
- Quem é o agente? Consigo apontar a palavra exata?
- Qual o verbo da ação? É executável ou é abstrato ("conscientizar")?
- Aparece um "por meio de", "mediante" ou equivalente?
- Aparece um "para", "a fim de" ou equivalente?
- Existe uma especificação a mais em algum desses elementos?
Preciso das cinco palavras-chave exatas?
Não. A banca procura os elementos, não as expressões. "Mediante" e "por meio de" cumprem a mesma função; o que importa é que o meio esteja explícito.
Conscientizar a população é uma ação válida?
É válida, mas fraca sozinha. Conscientizar não diz como. Se você usar, precisa amarrar a um meio concreto: campanhas em qual canal, com qual periodicidade, executadas por quem.
Posso propor algo que já existe?
Pode, e costuma funcionar bem: ampliar, fortalecer ou fiscalizar uma política existente demonstra repertório. Só evite descrever a política como se fosse novidade.
